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Furo no teto de gastos deve elevar ainda mais taxa básica de juros

Previsão inicial era de que a Selic passasse dos atuais 6,25% para 7,25%. Alta deve ser maior e também impactar na taxa de câmbio

22/10/2021 às 20h40
Por: Redação Fonte: R7 - Márcia Rodrigues, do R7
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O anúncio de que o governo federal pode extrapolar o teto de gastos para pagar o Auxílio Brasil — benefício que substitui o Bolsa Família — no valor mínimo de R$ 400 até o fim de 2022, fez especialistas do mercado financeiro elevarem a projeção de alta da Selic (taxa básica de juros) na próxima semana.

A previsão inicial era de que o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) elevasse a Selic em 1 ponto percentual, passando dos atuais 6,25% para 7,25%.

Em meio a temores fiscais especialistas do mercado financeiro acreditam que a taxa básica deve subir mais do que 1 ponto percentual.

Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), acredita que o auxílio é importante considerando o momento que estamos vivendo. Porém, a questão é muito maior, segundo ele.

"O governo teve muito tempo para buscar alternativas e viabilizar recursos para atender a população, mas sua preocupação agora é melhorar sua avaliação pensando nas eleições do ano que vem. A questão que fica é a regra do teto de gastos criada para evitar que os governos se endividassem sem limites porque isso traz consequências", diz.

Oliveira destaca que as consequências o país já deve começar a sentir na próxima semana com o resultado da reunião do Copom, que deve elevar a taxa de juros mais de 1 ponto percentual.

Se não subir na próxima, certamente subirá na seguinte. Com isso o juro e o dólar ficarão mais caros e impactarão diretamente na inflação.

Miguel de Oliveira

Oliveira vai além: "a forma que foi conduzida a situação é muito ruim. O recado que trouxe para o mercado. O governo poderia ter criado mecanismos, reduzido as despesas e buscar alternativas que não fosse furar o teto porque vai gerar dívida sem limites e isso trará juros, inflação e desemprego".

Por que manter o teto de gastos é tão importante?

Caio Megale, economista-chefe da XP, destaca que o teto de gastos é importante pelo fato de o Brasil ser um país muito endividado.

"A nossa dívida pública está na ordem de 80% do PIB [Produto Interno Bruto], ou seja, 80% de tudo o que a gente gera de riqueza nós temos em dívida, enquanto a média dos países emergentes é em torno de 50%. E essa dívida não é só elevada como tem um juro alto no país que atua sobre esse estoque de débitos", conta.

O equilíbrio do déficit público, segundo Megale, é importante porque dá credibilidade de que nossos ativos, ao longo do tempo, vão ser honrados, que nossa dívida e títulos públicos serão honrados e o governo será solvente. Não vai precisar acelerar inflação, emitir moeda ou dívida para pagar seus compromissos.

Não é muito diferente da gestão da nossa casa ou da empresa. As contas têm de estar relativamente em ordem. Não significa que é ruim ter dívida. Uma pessoa física tomar um empréstimo para comprar um carro, pode ser saudável. O mesmo ocorre com uma empresa que pede um empréstimo para fazer um investimento. Desde que se tenha um fluxo de renda que dê confiança para quem te empresta este dinheiro de que a dívida será paga.

Caio Megale

Assim como Oliveira, Megale também considera que o auxílio é importante para ajudar a população neste momento.

Porém, o fato de o governo sinalizar que pode extrapolar o teto de gastos em vez de ajustar o orçamento cortando despesas não relevantes como emendas parlamentares, subsídios a diversos setores da economia, não é positivo.

"Se o endividamento do governo será maior, a taxa de câmbio e de juros também será maior. Provavelmente haverá um aumento maior na inflação e pressão maior para gasolina e alimentos. Com isso, o BC deve subir ainda mais a Selic na próxima semana, mais do que 1 ponto percentual."

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