Quinta, 28 de Maio de 2020 01:37
75 98891-2472
Saúde Covid - 19

Médico Sanitarista e professor da USP alerta para os riscos de Cloroquina contra Civd-19

Ex-chefe da Anvisa alerta para riscos de cloroquina diz que protocolo é "barbaridade"

20/05/2020 17h22
Por: Redação
Foto - Rede Sociais
Foto - Rede Sociais

Cloroquina nos estágios iniciais da Covid-19 é uma “barbaridade”, na avaliação do ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Gonzalo Vecina Neto, que aponta ainda que a adoção do medicamento que conta como novo protocolo do Ministério da Saúde para uso do medicamento pode provocar mais mortes do que evitar, devido aos graves efeitos colaterais.

Segundo Vecina, que é médico sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), não há comprovação científica da eficácia da cloroquina contra o coronavírus e é “inacreditável que em pleno Século 21 a gente esteja vivendo de magia”.

“É inacreditável. Não tem evidência científica. É a opinião de um capitão que consegue convencer um general a fazer”, disse Vecina Neto à Reuters, referindo-se à patente com a qual Bolsonaro deixou o Exército para em seguida entrar na política e ao fato de o general Eduardo Pazuello ocupar no momento de forma interina o Ministério da Saúde.

Para Vecina Neto, o protocolo, que atende a desejo pessoal do presidente Jair Bolsonaro, é uma tentativa do governo federal apontar um medicamento que cure a Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus, já que Bolsonaro é contrário ao isolamento social, preconizado por autoridades de saúde de todo o mundo para frear a propagação do vírus.

O texto divulgado nesta quarta pelo Ministério da Saúde, que não foi assinado por nenhum médico, lista a dosagem para o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina, associado ao antibiótico azitromicina, no caso de sintomas leves em duas fases da doença, do 1º ao 5º dias e do 6º ao 14º dias, e também para casos moderados.

Vecina Neto, que comandou a Anvisa —órgão responsável pela regulamentação de medicamentos no país— entre 1999 e 2003, lembrou que a cloroquina possui efeitos colaterais sérios e que, assim como a hidroxicloroquina, outro remédio usado no tratamento de malária e doenças autoimunes, já foram testadas para determinar sua eficiência contra a Covid-19 sem que fosse comprovada.

“Ela mata cardiopata. Não existe evidência e nós sabemos os efeitos colaterais”, disse o ex-diretor da Anvisa, que é professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, ao apontar o principal entre vários efeitos colaterais da cloroquina.

“Já foram muito estudadas (cloroquina e hidroxicloroquina) e não se conseguiu concluir que elas mudam o rumo da doença”, apontou ele, prevendo ainda que o uso do medicamento pode gerar um aumento na quantidade de mortes em vez de uma redução.

Ao comentar o novo protocolo do Ministério da Saúde mais cedo nesta quarta, Bolsonaro reconheceu que não existem evidências científicas da eficácia da cloroquina contra a Covid-19, mas escreveu em sua conta no Twitter: “Contudo, estamos em guerra: ‘Pior do que ser derrotado é a vergonha de não ter lutado.’”

Em informe a Sociedade Brasileira de Infectologia afirmou que os estudos clínicos com a cloroquina ou a hidroxicloroquina, associados ou não à azitromicina, “permitem concluir que tais medicamentos, até o presente momento, não mostraram eficácia no tratamento farmacológico de Covid-19 e não devem ser recomendados de rotina”.

A entidade recomendou que o uso dos dois medicamentos no tratamento da Covid-19 seja feito prioritariamente em estudos clínicos, mas afirmou que, se quiser, o médico pode receitá-los “sendo recomendado que compartilhe com o paciente a falta da evidência científica de sua eficácia à luz dos conhecimentos atuais e seu potencial risco de dano, principalmente cardíaco, e com a assinatura de um termo de consentimento”.

Em março, a Anvisa disse que não havia estudos comprovando a eficácia da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento e prevenção da Covid-19 e que, portanto, não recomendava o uso do medicamento para esses fins. Essa mesma posição foi reiterada nesta quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Paulo Afonso - BA
Atualizado às 01h37 - Fonte: Climatempo
23°
Muitas nuvens

Mín. 22° Máx. 28°

23° Sensação
8.7 km/h Vento
91.9% Umidade do ar
83% (2mm) Chance de chuva
Amanhã (29/05)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 21° Máx. 27°

Sol e Chuva
Sábado (30/05)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 20° Máx. 27°

Sol e Chuva
Anúncio
Anúncio
Anúncio
Ele1 - Criar site de notícias