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Política GROSSERIA

'Inadmissível': entidades jornalísticas condenam intimidação de Bolsonaro a repórter.

Jair Bolsonaro ameaça jornalista e diz: "Minha vontade é encher tua boca na porrada, tá?".

24/08/2020 11h50
Por: Redação Fonte: (Com agência Sputnik Brasil)
Bolsonaro fala com a imprensa, em Brasília, levando consigo um exemplar da Folha de S.Paulo, que ele diz que não lê (Foto: Perdro Ladeira/Folhapress)
Bolsonaro fala com a imprensa, em Brasília, levando consigo um exemplar da Folha de S.Paulo, que ele diz que não lê (Foto: Perdro Ladeira/Folhapress)

Entidades de imprensa e organizações de direitos humanos condenaram neste domingo (23) a ameaça feita pelo presidente Jair Bolsonaro a um repórter em frente à Catedral Metropolitana de Brasília.

Ao ser questionado por um jornalista de "O Globo" sobre cheques depositados na conta de sua esposa, Michelle Bolsonaro, o presidente disse: "Minha vontade é encher tua boca na porrada, tá?".

Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), teria destinado R$ 72.000 para Michelle, enquanto sua esposa, Márcia Aguiar, teria depositado R$ 17 mil.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) disse que "o presidente Jair Bolsonaro coleciona um histórico absolutamente intolerável de ataques verbais, xingamentos e todo tipo de desrespeito ao trabalho da imprensa", mas com o episódio deste domingo (23) "ele conseguiu subir de patamar".

"Ameaça é crime previsto no artigo 147 do Código Penal. Vindo de um presidente da República, que recebeu a incumbência e ainda fez o juramento de zelar pelo respeito à Constituição e às leis do país, torna-se um crime ainda mais grave. Até quando as instituições do país vão seguir fazendo vista grossa para um sem número de barbaridades e violações legais cometidas por este sujeito?", afirmou a instituição.

A Fenaj disse ainda que "estudará medidas judiciais cabíveis contra o presidente da República por este crime".

'Incompatível com sua posição'

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) disse em nota, assinada ao lado de outras organizações de direitos humanos e de imprensa, que a atitude de Bolsonaro não foi "apenas incompatível com sua posição no mais alto cargo da República, mas até mesmo com as regras de convivência em uma sociedade democrática".

A entidade afirmou ainda que a ameaça de Bolsonaro era um "comportamento inadmissível por parte de um presidente da República", que "deveria ser condenado por todas as instituições e cidadãos comprometidos com a estabilidade e o progresso do Brasil".

'Tentativa de intimidação'

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Paulo Jeronimo, afirmou que o "comportamento grosseiro" de Bolsonaro "mais uma vez choca o país". Ele disse também que a atitude do presidente era uma "tentativa de intimidação".

"Tal comportamento mostra não apenas uma inaceitável falta de educação. É, também, uma tentativa de intimidação da imprensa, buscando impedir questionamentos incômodos", afirmou Jeronimo.

O presidente da Associação Nacional de Jornais, Marcelo Rech, afirmou que a ameaça de Bolsonaro era "lamentável" e não "contribui com o ambiente democrático".

"É lamentável que mais uma vez o presidente reaja de forma agressiva e destemperada a uma pergunta de jornalista. Essa atitude em nada contribui com o ambiente democrático e de liberdade de imprensa previstos pela Constituição", afirmou Rech, segundo o jornal O Globo.

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