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Brasil ELEICOES 2020

Modelo de jingle difamatório contra ‘Paulo Barreto e o irmão’ se espalha pela Bahia.

Feitos sob medida para o WhatsApp, áudios apócrifos viram tendência perigosa.

15/11/2020 10h16
Por: Redação Fonte: Correio
Meme com referência a áudio viral sobre Paulo Barreto (foto ao lado), candidato potiguar atacado por campanha adversária (Foto: Reprodução)
Meme com referência a áudio viral sobre Paulo Barreto (foto ao lado), candidato potiguar atacado por campanha adversária (Foto: Reprodução)

Você está estudando para o Enem? Pois então, anote aí, que essa pergunta pode cair: “Quem deu uma cadeirada em Jessé da Ambulância no bar de Tico Gordo, e um murro em Rodrigo Barbudo?” Para achar a resposta, vá ao Twitter mais próximo de você e digite: “Paulo Barreto e o irmão”.

A resposta ao meme sobre o caso não é essa, mas pode estar lá num jingle de axé (da pior qualidade), com acusações sem provas contra Paulo Barreto, candidato do PT à prefeitura de Pendências (RN), peça publicitária que é, de longe, a mais ouvida e comentada das Eleições 2020. 

Mais que isso, vem influenciando muitas campanhas no interior da Bahia, que acompanharam o modelo nada ortodoxo de atacar adversários.

A letra no caso original, com informações apócrifas, traz perguntas sobre diversos crimes – de estelionato e desvio de dinheiro público a agressão e homicídio –, tendo como resposta de quem os cometeu, invariavelmente, Barretão barril e seus parentes.

“Quem expulsou o pai de casa e ficou hospedado na pousada de Gilmar?”, é um dos questionamentos, que tem, esse sim, “Paulo Barreto e o irmão” como alternativa supostamente correta.

Maledicência à baiana


Antes de saber como o candidato de Pendências está resolvendo as suas (spoiler: teve axé-resposta), levo você para uma ação semelhante, em algum canto da Bahia, feita de forma menos escrota e, digamos, mais sútil.

A repercussão local tem sido importante, como relata uma eleitora da cidade de médio porte – que não cabe dizer o nome. O postulante à reeleição por lá foi tachado de pau-mandado, ou coisa equivalente, em uma paródia que usa o forró-brega ‘Minha Mulher não Deixa não’ como base. 

O jingle, também sob medida para grupos de zap, tem o mesmo formato pergunta-resposta, como a galhofa potiguar, e se baseia em boatos que correm à boca miúda na cidade baiana. “A mulher que manda nele, já até bateu. Todo mundo sabe”, antecipa nossa fonte, que parece ter um lado na briga eleitoral.

O áudio inicia com uma apresentação do dito cujo: “Essa é a música do candidato do coquém [galinha d’angola, que emite som semelhante a ‘tô fraco, tô fraco!’]. O homem que é mandado pela mulher.” E a partir daí inicia o ping pong: 

“- Ei, tu vai pagar o povo? 
- Eu não. 
- Não vai por quê?
- Não posso, não...
- Não pode por quê?
- Não mando em nada, não.
- Oxe! Não manda, não, é?
- Eu não, posso não, mando não, minha mulher não deixa não” diz o trecho.

Perigo
Especialista em jingles eleitorais, o compositor baiano Moisés Souto, com quase 20 anos de experiência, e seguidas campanhas para governador e prefeito na Bahia, Maranhão e Alagoas, conta que nunca foi contratado para compor “contra” adversários de seus contratantes.

“Sempre fui dedicado a construir, e nunca a destruir imagem de ninguém. Até já fiz trilhas com críticas a candidatos, mas dentro da normalidade política. Nada usando o nome de um adversário ou para esculhambar ninguém”, comenta o empresário de áudio, autor de jingles para outros petistas como Paulo Barreto, a exemplo de Jaques Wagner, Rui Costa e Nelson Pelegrino. 

Para Souto, o sucesso dessa nova estratégia “vai depender do resultado jurídico” do caso de Pendências.

“Se virar tendência, é uma coisa muito perigosa, porque imagina se você é um candidato contra mim e eu invento um monte de coisa contra você. E aí vira piada só porque é engraçado... As pessoas não vão saber que aquilo é fake news musicada”, conclui o compositor. 

Já é realidade


O que ele não sabe é que o modelo “Paulo Barreto” já se espalhou pela Bahia, como conta o advogado eleitoralista Fabrício Bastos, também há mais de duas décadas rodando a Bahia em campanhas políticas.

“Em cada canto do interior agora tu encontra um Paulo Barreto”, comentou ele, antes de explicar o que a defesa de um candidato alvo desse tipo de ataque deve fazer.

“A depender da potencialidade, da gravidade, ele pode entrar com uma Aije, Ação de Investigação Judicial Eleitoral, contra abuso do poder de comunicação, na qual o juiz vai avaliar se o áudio teve a potencialidade de desequilibrar o processo eleitoral, trazendo um benefício pra quem divulgou”, explica.

Ainda segundo Bastos, o candidato atacado também deve ir ao Ministério Público Eleitoral pedir a instauração de um inquérito “para apurar crimes de calúnia e injúria eleitoral e até difamação”. “Caberá ao Poder Judiciário analisar as provas coletadas. Poderá ter penas de cassação do registro (da candidatura) ou do diploma (do empossado)”, indicou.

Respostas
As medidas sugeridas pelo advogado baiano estão entre as tomadas por Paulo Barreto, com o qual o CORREIO DA BAHIA  tentou contato, mas acabou não tendo como entrevistar “por conta da reta final da corrida eleitoral”, segundo explicou sua assessoria. 

A comunicação do petista, no entanto, enviou um posicionamento sobre as ações que o prefeiturável pendente, digo, pendenciense busca após a repercussão nacional do caso.

No comunicado, afirma que seus advogados já foram acionados para agir “contra as informações caluniosas e difamatórias sobre sua pessoa e seus familiares”. 

“Destacamos que somos contrários a qualquer tipo de violência ou difusão de inverdades. (...) Repudiamos todo tipo de ação política pautada em ataques pessoais. (...) Vamos buscar a identificação e a responsabilização legal aos envolvidos neste crime”, diz o comunicado da candidatura, citando ainda que busca “uma campanha propositiva”.

 

Foi nesse embalo que resolveram emplacar outro axé-jingle nos mesmos moldes do ataque, mas sem reatividade. 

“- Quem é que vai cuidar da educação?
- É Paulo Barreto”, é a tônica. 

A coluna procurou a assessoria do WhatsApp para saber se há como identificar o emissor inicial do áudio contra Paulo Barreto & cia ltda.

“O WhatsApp não tem capacidade de identificar o usuário específico responsável por criar qualquer conteúdo ou mensagem, nem identificar quem foi o primeiro usuário a carregar e compartilhar determinado conteúdo ou mensagem”, diz a assessoria, em nota à Baianidades.

Ainda de acordo com o WhatsApp, a explicação é o fato de que o aplicativo “não retém e é incapaz de acessar as mensagens”. “Uma vez transmitida, uma mensagem específica não permanece nos servidores do WhatsApp, mas exclusivamente nos dispositivos móveis do remetente e dos destinatários. Além disso, toda mensagem é criptografada de ponta-a-ponta, de modo que o WhatsApp não tem acesso ao seu conteúdo”, conclui a empresa de tecnologia, deixando pendências para Paulo Barreto e o irmão resolverem da forma que bem entenderem. Te cuida, Zuck.

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